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Agricultura familiar sustentável

Agricultura familiar sustentável

5 Iniciativas Vinculadas

Nossa atuação busca promover a segurança alimentar de base saudável, ampliar a renda e impulsionar o desenvolvimento.

Agricultura familiar sustentável

Panorama

Última atualização: 10/06/2026

A agricultura familiar é estratégica para a segurança alimentar do Brasil. É responsável por grande parte dos alimentos que chegam diariamente à mesa da população, ao mesmo tempo em que sustenta milhões de famílias no meio rural. 

Apesar de sua relevância, o setor enfrenta desafios estruturais persistentes, como, por exemplo, baixa geração de renda, dificuldades de acesso a crédito, estrutura produtiva pouco desenvolvida e alta vulnerabilidade aos efeitos das mudanças climáticas. Nesse cenário, a agroecologia se consolida como uma abordagem essencial para fortalecer a agricultura familiar, ao integrar produção de alimentos saudáveis, conservação ambiental, geração de renda e valorização dos saberes locais. 

O BNDES atua para promover a segurança alimentar de base saudável, ampliar a renda e impulsionar o desenvolvimento socioambiental de comunidades rurais por meio do fortalecimento da agricultura familiar sustentável, com especial atenção ao Semiárido e ao Cerrado do BrasilA atuação do BNDES no apoio à Agricultura Sustentável é organizada a partir de dois eixos: Agricultura Familiar Sustentável e Resiliente e Agroecologia e Inovação Sustentável.

ODS 1 - Erradicação da pobreza
ODS 2 - Fome zero e agricultura sustentável
ODS 6 - Água potável e saneamento
ODS 8 - Trabalho decente e crescimento econômico
ODS 10 - Redução das desigualdades
ODS 12 - Consumo e produção responsáveis
ODS 13 - Ação contra a mudança global do clima

Informações Gerais

Eixo 1 | Agricultura familiar sustentável e resiliente:

Contexto e atuação do BNDES no eixo

A agricultura familiar é responsável por uma grande parcela dos empregos no campo e sustenta comunidades inteiras. No entanto, muitos agricultores vivem em situação de pobreza, com baixa remuneração e acesso limitado a políticas produtivas. Investir nesse grupo significa ampliar a inclusão produtiva, reduzir desigualdades e fortalecer a economia rural onde ela mais precisa de apoio. Cada real investido na agricultura familiar circula várias vezes dentro do território, ativando comércios locais, cooperativas, agroindústrias e pequenos serviços. Ao apoiar esse segmento, o BNDES promove o desenvolvimento regional, especialmente em áreas historicamente excluídas das dinâmicas econômicas nacionais. 


Mudança Climática e Sistemas Alimentares Sustentáveis e Resilientes
A mudança climática já afeta diretamente a produção rural, que está cada vez mais exposta a riscos, como irregularidade de chuvas, secas e desertificação. Esses impactos negativos atingem de forma mais grave os agricultores familiares que não dispõem, de forma regular, de fatores essenciais para a produção, como orientação técnica e financiamento agrícola, inclusive para a aquisição de maquinários para cultivos de menor porte, uma deficiência tecnológica estrutural do país.

Apoiar práticas agroecológicas e tecnologias sociais significa preparar as comunidades rurais para enfrentar secas, erosão, degradação do solo e perda de biodiversidade, fortalecendo a resiliência produtiva e ambiental do país. Sem um apoio consistente à produtividade e resiliência, o acesso a alimentos saudáveis e a preços justos fica comprometido. O BNDES, ao financiar esse segmento, atua diretamente na garantia de abastecimento e na promoção de sistemas alimentares mais equilibrados e resilientes. 


Semiárido brasileiro
Os desafios da agricultura familiar são intensos no Nordeste e, sobretudo, no Semiárido brasileiro, uma região marcada por profundas vulnerabilidades sociais e ambientais. 

Nessa área, 9,1% da população vive em extrema pobreza e 47,2% em situação de pobreza, índices superiores à média nacional. Além disso, 34,8% dos domicílios enfrentam insegurança alimentar. 

Essas dificuldades são agravadas por fatores estruturais, como: 

  • Baixo nível de mecanização;
  • Fragilidade da organização produtiva coletiva; e
  • Elevada exposição a riscos ambientais típicos do Semiárido, incluindo desertificação, degradação do solo, escassez de água doce e perda de biodiversidade.

Em conjunto, esses elementos reduzem a capacidade produtiva e adaptativa das comunidades rurais. 

 

Cerrado brasileiro
A agricultura familiar enfrenta dificuldades relevantes no Cerrado, onde vivem 32 milhões de pessoas, incluindo cerca de 80 etnias indígenas e diversas comunidades quilombolas. O bioma teve perda de 28% da cobertura de vegetação nativa de 1985 até 2024. Naquele ano, o Cerrado representou 52,5% de toda a área desmatada no país.

O Cerrado também é conhecido como berço das águas do Brasil, provendo quase metade da água doce do país. Quando se desmata o bioma, comprometem-se também os recursos hídricos, importantes para milhões de pessoas. O Cerrado concentra nascentes de oito das 12 principais bacias hidrográficas do país, e as águas originadas no bioma proporcionam geração de eletricidade para nove de cada 10 brasileiros.

Além do desmatamento, também prejudicam os rios: 

  • o impacto causado por garimpos, que contaminam as águas com mercúrio e provocam o assoreamento de seus cursos (bloqueio por terra); 
  • a utilização de agrotóxicos e fertilizantes na monocultura intensiva de grãos; e 
  • a pecuária extensiva de baixa tecnologia.



O apoio não reembolsável do BNDES à Agricultura Familiar Sustentável e Resiliente
Fortalecer a agricultura familiar em bases sustentáveis é fundamental para: 

  • ampliar a geração de renda e a estabilidade econômica das famílias agricultoras; 
  • aumentar a resiliência dos sistemas produtivos frente às mudanças climáticas; 
  • promover a restauração de ecossistemas degradados; 
  • fortalecer cooperativas e associações locais; 
  • estimular maior autonomia tecnológica, especialmente por meio do uso de bioinsumos. 

A atuação do BNDES busca promover soluções que integrem inclusão produtiva, desenvolvimento territorial e sustentabilidade ambiental.

Políticas Públicas e ambiente regulatório

Entre as principais políticas públicas e a legislação que orientam a atuação do BNDES no eixo, destacam-se: 

  • PNMC Política Nacional sobre Mudança do Clima 
  • NDC – Contribuição Nacionalmente Determinada 
  • Plano Nacional para Controle do Desmatamento Ilegal e Recuperação da Vegetação Nativa 
  • Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima
  • Programa de Aquisição de Alimentos (PAA)
  • Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) 
  • Programa Cisternas
  • Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO)
  • Programa Nacional de Bioinsumos (PNB) 
  • Plano Nacional de Fertilizantes 
Principais efeitos esperados​ no eixo
  • Expansão da produção, processamento e comercialização de produtos orgânicos e agroecológicos
  • Fortalecimento da transição para sistemas alimentares saudáveis, guiados pelos princípios da agroecologia
  • Ampliação das tecnologias de produção e do acesso a bioinsumos pela agricultura familiar
Resultados esperados no Eixo

Os 15 projetos aprovados pelo BNDES no período de 2023 a março de 2026 têm como resultados esperados os seguintes destaques:

    • 1 milhão de pessoas diretamente beneficiadas em 5 projetos de produção sustentável
    • Mais de 400  mil mulheres beneficiadas em 5 projetos de produção sustentável em Agricultura Familiar
    • 86 mil pessoas capacitadas para a prática e gestão de atividades econômicas sustentáveis em 5 projetos  
    • 16,5 mulheres capacitadas para a prática e gestão de atividades econômicas sustentáveis em 5 projetos
    • 170 empreendimentos aprimorados em 7 projetos  
    • 130 empreendimentos com aumento de volume de produção em 5 projetos
    • 145 empreendimentos com novos canais de comercialização em 7 projetos 
    • 84,5 mil ha de florestas manejadas em 5 projetos de produção sustentável


Eixo 2 | Agroecologia e inovação:

Contexto e atuação do BNDES

Ao integrar e articular dimensões ambientais, econômicas, sociais e culturais da agricultura, a agroecologia oferece um caminho estratégico para transformar os sistemas agroalimentares. 

Essa abordagem ganha relevância como alternativa diante do ainda elevado uso de agrotóxicos no Brasil e é reconhecida internacionalmente por suas contribuições à sustentabilidade em diversas dimensões, que incluem: 

  • Segurança e soberania alimentar; 
  • Mitigação e adaptação às mudanças climáticas; e
  • Conservação da biodiversidade. 

Sua importância se torna ainda mais evidente diante do elevado e crescente uso de agrotóxicos no país. Em 2022, o Brasil foi o maior consumidor mundial desses compostos. Já em 2017, 33% dos estabelecimentos da agricultura familiar faziam uso de agrotóxicos. 

Entre 2010 e 2020, as vendas desses produtos cresceram 78,3%, quase três vezes mais que a expansão da área cultivada no mesmo período, refletindo uma tendência preocupante de aumento da dependência química na produção agrícola. Além disso, a base de fertilizantes químicos do País é majoritariamente importada – 90% dos fertilizantes consumidos em 2024 – , o que expõe agricultores a choques cambiais e de preços, comprimindo margens e endividando cadeias locais.


Bioinsumos e o apoio do BNDES
A substituição de fertilizantes químicos por bioinsumos tem impactos positivos tanto sobre a biodiversidade quanto sobre o clima. Em termos de biodiversidade, os bioinsumos revitalizam o solo, melhoram a ciclagem de nutrientes e favorecem inimigos naturais e polinizadores. Em termos climáticos, aumentam a eficiência do nitrogênio, reduzindo perdas e emissões associadas a fertilizantes sintéticos, além de estimular o acúmulo de matéria orgânica no solo. Esses efeitos tendem a ser potencializados em sistemas agrícolas com práticas como rotação de culturas, cobertura vegetal e consórcios, características da agricultura familiar diversificada. 

Assim, os bioinsumos surgem como alternativa tecnológica promissora para promover sistemas produtivos mais sustentáveis, saudáveis e resilientes. No entanto, sua produção ainda é concentrada regionalmente: das 403 unidades produtoras existentes no país, apenas 8,3% estão localizadas nas regiões Norte e Nordeste.

Esse cenário revela uma oportunidade estratégica para o BNDES: fortalecer a agroecologia e a inovação sustentável em todo o território nacional, especialmente por meio do apoio à produção e ao uso de bioinsumos pelas cooperativas de agricultores familiares. Ao investir nessa agenda, o Banco contribui para reduzir desigualdades regionais, estimular soluções tecnológicas apropriadas aos territórios e impulsionar uma transição agroalimentar justa e sustentável.

 

Políticas Públicas e ambiente regulatório

Entre as principais políticas públicas e a legislação que orientam a atuação do BNDES no eixo, destacam-se: 

  • Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO).
  • Programa Nacional de Bioinsumos (PNB).
  • Plano Nacional de Fertilizantes.
Principais efeitos esperados​ no eixo agroecologia e inovação
  • Expansão da produção, processamento e comercialização de produtos orgânicos e agroecológicos.
  • Fortalecimento da transição para sistemas alimentares saudáveis, guiados pelos princípios da agroecologia.
  • Ampliação das tecnologias de produção e do acesso a bioinsumos pela agricultura familiar.

Iniciativas

Iniciativa Temas Eixo Ação
BNDES Bioinsumos Agricultura familiar sustentável Agroecologia e inovação/Agricultura Familiar Sustentável e Resiliente Ver Detalhes
Cerrado + Cooperativo Agricultura familiar sustentável Agricultura Familiar Sustentável e Resiliente Ver Detalhes
Ecoforte Agricultura familiar sustentável Agroecologia e inovação Ver Detalhes
Sertão + Produtivo Agricultura familiar sustentável Agricultura Familiar Sustentável e Resiliente Ver Detalhes
Sertão Vivo Agricultura familiar sustentável Agricultura Familiar Sustentável e Resiliente Ver Detalhes